Uma das práticas mais condenadas na democracia brasileira é o voto de cabresto.
Para quem ainda não viu é simples: Um político age com ameaças para que uma pessoa vote nele. Mesmo que o voto seja sigiloso. Acredite! Muitas pessoas trocam o número do seu título por um favor de um político e temem que ao votar ele descubra uma suposta traição.
Também existe o socialista de cabresto. Você acha ele facilmente nas universidades públicas. São jovens de classe média que encontram nessa afirmação um certo desafio contra os pais que ganham a vida com a exploração de mão de obra barata. A ironia é que geralmente quem limpou suas sujeiras na meninice não poucas vezes foi uma empregada explorada…
Hoje o Bom dia Brasil trouxe um comentário sobre a deficiência dos nossos professores. Os jornalistas creditaram o mau desempenho dos mestres justamente ao ensino das teorias socialistas. Fizeram-no de uma forma velada. Comentaram sobre o ensino de “doutrinas ultrapassadas”…
Não é o ensino do socialismo que gera a mediocridade que conhecemos nas escolas. Dificilmente conheci algum socialista engajado com mais de 30 anos que não fosse sindicalista. Trabalhei alguns anos na docência e posso afirmar categoricamente: o menos importante para um professor é algum discurso de uma Internacional Comunista.
O ensino da doutrina socialista preenche um vazio cultural que não vale a pena ser substituído com outra doutrina mais pragmática (como os jornalistas da globo desejam). Por que não temos um projeto de educação nacional a partir de um amplo debate? Por que a influência estrangeira torna-se um padrão seguido tão cegamente?
Eu tenho acompanhado muito o que ocorre no modo de produção americano e ao contrário do que as pessoas afirmam naquele país não ocorre um liberalismo sem restrições. O liberalismo é aplicado dentro de uma rede de proteção social gigantesca. E, meio de orelhada, acredito que um dos pontos chave do êxito econômico americano é assimilar o que há de bom em qualquer ideologia, mesmo as mais odiadas.
Outro exemplo bacana é o Japão que reinventou o modo de produção ocidental, sem perder sua identidade.
Somos um povo condenado a reprodução integral de modelos estrangeiros ou podemos construir o nosso a partir de outros? A crítica dos jornalistas globais partem de uma constatação verdadeira, porém, da crítica não surgiu uma sugestão ou alguma dica para a solução do problema.
Até porque se os filhos da classe média e alta estudam em escolas particulares e gozam da estrutura ideológica que eles acreditam, por que essa preocupação com o ensino alheio? Isso não é até uma vantagem competitiva do ponto de vista liberal?
Esse foi uma dúvida que me ocorreu hoje no dia dos professores.
A esses profissionais que eu admiro, e algumas vezes até imito, deixo um forte abraço de agradecimento pela paciência que sempre tiveram com esse aluno rebelde…


