Graças a uma intensa polêmica gerada nesses últimos dias, posso ver novos rumos para a utilização de blogs como ferramenta de comunicação na internet.
Dentro do meu trabalho de consultoria passei a utilizar o WordPress, porque fiquei muito empolgado com a facilidade que esse sistema possui para a interatividade com o utilizador da página, tanto para o editor como para o visitante, ou para a agregação de novos participantes, e até mesmo a possibilidade de criar uma comunidade on-line em torno desse sistema.
Enfim isso significa que para mim, os blogs haviam superado outros sistemas como fóruns e portais, os blogs eram A ferramenta.
Mergulhei muito nesse mundo. Passei a visitar as páginas mais famosas, e conheci um pouco melhor os caras que eu gosto de chamar de: medalhões.
O mundo dos blogs foi um encanto para mim, principalmente quando conheci o Adsense. A princípio tive que me posicionar em relação a ganhar dinheiro ou não com meus projetos como o BlogMestre. Foi uma transição dura ter de encarar meu falso altruísmo, e admitir que não há nada de imoral em colocar anúncios, em projetos que tenho uma afeição que beira o sentimento fraternal. Enfim, foi a admissão que não deveria ser tão romântico com a internet e que trabalhar nela é como trabalhar em qualquer outro negócio.
Parece besteira mas você não imagina o custo disso…
Por último resolvi participar de uma lista do yahoo chamada blogosfera. Daí realmente, iniciei um entendimento do que há um mundo real dos blogs, com todos os seus pontos negativos, o que considero o início de um processo infinito…
Mas acontece que a uma semana achei um contraponto aos “blogueiros” e aos “probloggers”. A lista do radinho, do Rene de Paula, o qual já tive a oportunidade de citar por aqui (1) (2), como uma das minhas leituras preferidas na internet.
De cara percebi na lista do radinho um ambiente bem semelhante aos outros que passei na “vida real”. Por incrível que pareça, por mais que haja gente super interessada em internet, nessa lista, eu percebo claramente que aquele espaço abriga profissionais que fazem um link entre as organizações formais e o ambiente on-line. O que se opõe à Blogosfera, que é nítido a predominância de “novos fazendeiros”; é o pessoal da corrida do ouro.
É difícil argumentar por exemplo sobre o termo “problogger” com eles. Eu tentei por várias vezes entender o que é isso. Mas logo vem um mantra, que “problogger” é alguém que vive de blogs. Alguém chegou a me advertir: Pô Luiz! Desencana, o negócio é simples para que complicar? Inclusive eles citam exemplos claros como o motorista. O que é um motorista, antes de qualquer outra coisa? Hummm… alguém que dirige carros, então?
Pois é eu gostaria de saber detalhes mais subjetivos como o que eles pensam sobre categoria, e tal… enfim… não há espaço para entender isso. Eles estão muito ocupados em agir individualmente em busca do seu depósito no final do mês, e não pensam em planejar uma profissão a longo prazo. Enfim, meu olhar de adminsitrador, está descartado para eles.
Voltando ao radinho, como estou na fase do namoro, me identifiquei mais. Até porque me parece que o René – que para mim é um grande profissional, cuida com muito carinho do espaço. E cá entre nós, já existe um amplo ganho colaborativo de informações alí, até pelo know-how dos profissionais que habitam o planeta.
O que nenhum dos lados talvez percebeu ainda. É que essa polêmica é a ponta de um iceberg, uma verdadeira encruzilhada maniqueísta que se coloca frente a internet: o formal x informal; o burocrático x o liberal; liberdade x libertinagem e por aí vai…
Muitos blogueiros querem fugir do esteriótipo que coloca os coloca como irresponsáveis e boateiros para atrair organizações sérias para os seus projetos; enquanto os profissionais publicitários, editores de revista, e pessoas que vem de outras mídias para a internet, temem o ambiente instável, contudo, são seduzidas pela corrida do ouro que os adsenses da vida prometem…
Inclusive os blogueiros mais inteligentes já sacaram que não depender exclusivamente de audiência (1) (2) pode ser uma boa saída para não vulgarizar seu veículo. Diga-se de passagem as resenhas pagas, quando devidamente esclarecido o caráter da transação, tornam-se uma troca muito interessante para todos os lados; quem paga, quem compra e quem lê… o problema são as resenhas que a revista veja faz de um ministro quando um grupo quer derrubá-lo… mas essa é outra história…
Enfim… se eu fosse marxista até pensaria que poderia surgir uma síntese daí; mas como ultimamente vejo grande sentido na Teoria Crítica (2); somente posso entender que a conversa mais próxima com o “mundo real” irá prevalecer. Nesse sentido os “probloggers” tem muito a aprender com os radianos.
Comentários
Luiz, quem fez a comparação com o motorista, fui eu.
A discussão não deu a entender que você queria entrar nos aspectos por traz da blogagem profissional, mas sim, definir o termo.
Como disse, não há muito o que ser definido com relação ao termo.
Porém, existe, sim uma série de aspectos por traz da atividade, que, acredito, todos discutiriam com o maior prazer.
Abraço
Bruno, quando rolou a discussão no radinho, sobre esse lance do Cardoso, todo mundo queria estereotipar os blogueiros pegando esse exemplo isolado… e citei o seu blog como um ótimo exemplo de equilíbrio…
Realmente o pessoal não conhece nem o trabalho do Cardoso que apesar desse caso, no geral, é um cara que faz muita coisa bacana no blog dele. O problema é tipo o lance da cabeçada do Zidane… enfim… essas são as impressões que ficam…
Para mim os dois erraram… a diferença é que Rene… reconheceu… pediu desculpas… e o Cardoso adotou uma postura de menosprezo… sei lá cara… é a personalidade dele… mas não dá para construir um ambiente comunitário dessa forma…
E o pior como ambos os lados tem uma série de “discípulos” e “dissidentes” fica um clima chato de provocações nos comentários com expressões tipo aquele lance de EMO que gosta de gatos; que denota um ambiente de ataque pessoal, que não fica legal para quem é de fora ver…
Os dois são pessoas super inteligentes que deixaram a emoção falar mais forte nessa situação…
Reitero o que disse na lista o termo “problogger” está se construindo, junto com uma profissão… que deveria ser melhor avaliada e interpretada por quem faz… pois da forma como me responderam na blogosfera… ficou uma impressão tipo de quem não consegue explicar e diz: aceite o fato como ele é…
Ainda tenho muito a aprender com vocês… espero mesmo continuar conversando sobre isso… abraços e sucesso…
Luiz, obrigado.
Eu preferi não dar pitaco nessa briga, pois nada mais é do que uma guerra de egos.
Apesar do impacto que pode causar, achei a discussão entre os dois irrelevante e extremada.
E não creio que as atitudes de um problogger, que respeito muito, possam definir ou estereotipar os demais probloggers, ainda mais em momentos de crise.
Abraço.
Uma grande pena essa briga.
A turma do Radinho tem os contatos e o pé no mundo real necessário para dar um impulso nos blogs. Temos que caminhar para possibilidades muito além do Adsense e é essencial fazer a ponte entre os blogueiros e a turma dentro das agências e empresas de comunicação.
Texto muito bacana, Luiz.
Abraço,
Guilherme
http://www.papodehomem.com.br
[...] postagem agressiva, o Rene fez suas Dez Reflexões sobre comunidades On_line. Eu procurei avaliar nessa mensagem, que o caso revelou um confronto entre duas [...]
[...] postagem agressiva, o Rene fez suas Dez Reflexões sobre comunidades On_line. Eu procurei avaliar nessa mensagem, que o caso revelou um confronto entre duas [...]