A falsa banda larga brasileira

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8 de outubro de 2009 - 11:13 | Tecnologia Fazer Comentário
Falsa banda larga brasileira

Nós, profissionais de internet, podemos contribuir para a mudança das nossas políticas públicas com relação ao acesso a internet. Uma boa prática começa com a organização da própria classe que é extremamente desunida.

Há uma postagem no blog do Ezequiel na qual ele cita um texto muito verdadeiro sobre a situação da banda larga brasileira. O artigo Internet a Lenha foi publicado no O globo de 4/7/2009 e republicado nesse link no Observatório da Imprensa.

O que ocorre com o consumo de internet vale uma reflexão pois esse mesmo modelo de negócio é aplicado em grande parte das nossas aquisições de tecnologia estrangeira.

Falamos muito do quanto os índios e os africanos foram enganados pelos europeus, mas não estamos muito longe disso no uso atual de tecnologia.

O pior é que hoje exportamos matéria prima e semi-fabricada, para logo em seguida importar esse mesmo material transformado com um circuito processado a preços caríssimos. É evidente que esse desequilíbrio se deve ao nosso atraso no que se refere aos investimentos de pesquisa em inovação. Há demérito nas empresas estrangeiras por lucrar em nosso país? Antes de lançar mão do discurso xenófobo devemos fazer o dever de casa.

E a  nossa eterna fuga de cérebros? O twitter por exemplo tem um profissional brasileiro na sua área de design só para citar um entre milhares de exemplos. Vamos ser contra quem trabalha no exterior? A discrepância de remuneração e condições de trabalho são evidentes.

Apesar da falta de investimento nas universidades públicas, muitas inovações tecnológicas e muitos bons profissionais saem de lá. Esse é sim é o verdadeiro milagre brasileiro.

Falta apoio no uso e massificação da nossa tecnologia. Muitas inovações são realizadas em nossos campos de pesquisa, contudo, por falta de visão empreendedora do corpo acadêmico, essas inovações são perdidas. Existe um abismo entre o desenvolvimento e o uso de tecnologia em nosso país.

A falsa banda larga brasileira é uma demonstração da nossa incapacidade de virar o jogo contra a dominação tecnológica. Não sabemos nos organizar como consumidores, não temos o hábito de exigir nem nas questões essenciais como saúde e educação quem dirá nas questões de consumo. E o pior, quando alguém reclama sobre bens de consumo logo vem aquele discurso sobre o privilégio de uma classe em detrimento de outra.

Vivemos em uma crise de liderança. O senso de oportunismo no meio acadêmico está restrito ao ganho político e o lado econômico das pesquisas fica para trás. Além disso, não há interesse dos políticos em utilizar a tecnologia como instrumento de inclusão social.

Muito pelo contrário, os projetos de inclusão digital confundem o uso de tecnologia com o uso das ferramentas tecnológicas. Operar uma máquina não significa ser capaz de transformar um contexto social. Como uma lan-house pública vai tornar-se algum instrumento de mudança social? Chega a ser cômico comparar essa iniciativa com um projeto de educação pública efetiva. As pessoas deveriam ter mais senso crítico.

Nós, profissionais de internet, podemos contribuir para a mudança das nossas políticas públicas com relação ao acesso a internet. Uma bom começo é a organização da classe extremamente desunida. O registro de associações tanto em nível regional como nacional seria extremamente saudável. Uma organização jurídica teria poder de pressionar órgãos do governo e fazer parcerias com universidades.

Se você já participa de alguma sinta-se a vontade para divulgar suas atividades em nossos comentários. Da minha parte posso oferecer algumas horas para iniciativas presenciais aqui em Vitória-ES, ou até mesmo colaborar on-line com outras de espectro mais abrangente. É só contatar.

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